Violência vicária foi a causa da tragédia familiar em Itumbiara

Thales Naves Alves Machado, baleou seus dois filhos e tirou a própria vida.

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Casos de violência no ambiente familiar continuam a provocar debates profundos sobre gênero, responsabilidade e proteção às vítimas.

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Especialistas em direitos humanos apontam que, em muitos episódios, a sociedade tende a direcionar julgamentos às mulheres, mesmo quando elas também são afetadas diretamente pelos acontecimentos.

Esse padrão de culpabilização tem sido alvo de campanhas educativas e propostas legislativas que buscam ampliar a compreensão sobre as diferentes formas de agressão. Na madrugada de 12 de fevereiro, em Goiás, um episódio envolvendo Thales Machado, de 40 anos, trouxe à tona o conceito de violência vicária.

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Antes de atirar contra os dois filhos e tirar a própria vida, ele publicou nas redes sociais uma mensagem atribuindo à esposa a responsabilidade pelo ato, mencionando suposta traição.

A prática de atingir filhos para causar sofrimento à mãe é reconhecida por especialistas como uma forma específica de violência de gênero, pois utiliza as crianças como instrumento para ferir emocionalmente a mulher.

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Diante da repercussão, a Defensoria Pública Estadual de Goiás se manifestou por meio de seus canais oficiais, defendendo a necessidade de ampliar campanhas educativas que abordem a responsabilização correta em casos de violência.

O órgão destacou que a responsabilidade recai exclusivamente sobre quem pratica o ato, independentemente de comportamentos ou escolhas da vítima, e alertou que a exposição indevida de mulheres em situação de violência pode configurar crime.

Também ressaltou que refletir sobre a cultura de culpabilização feminina é passo essencial para enfrentar desigualdades que alimentam ciclos de agressão. No campo legislativo, a discussão também avança.

Em 2024, a deputada federal Laura Carneiro (PSD-RJ) apresentou o Projeto de Lei 3.880, que propõe incluir a violência vicária entre as formas previstas na Lei Maria da Penha.

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A matéria teve relatoria da deputada goiana Silvye Alves na Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher e aguarda análise na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados.

O debate evidencia a importância de políticas públicas voltadas à prevenção e ao enfrentamento de todas as modalidades de violência doméstica, além do fortalecimento de redes de apoio que protejam mulheres e crianças em situações de vulnerabilidade.

Escrito por

Fabiana Batista Stos

Jornalista digital, com mais de 10 anos de experiência em criação de conteúdo dos mais diversos assuntos. Amo escrever e me dedico ao meu trabalho com muito carinho e determinação.