ANÚNCIOS
A repetição de denúncias de violência doméstica no Brasil revela um cenário preocupante. Levantamentos recentes apontam que milhares de mulheres registram ocorrências todos os anos por ameaças, ofensas e descumprimento de decisões judiciais, mas nem sempre conseguem medidas de proteção duradouras.
ANÚNCIOS
Em muitos casos, o histórico de conflitos se estende por anos, acumulando registros formais que evidenciam um padrão de comportamento persistente. Em Botucatu (SP), a morte de Júlia Gabriela Bravin Trovão, de 29 anos, trouxe à tona uma sequência de boletins de ocorrência contra o ex-companheiro, Diego Sansalone, de 38 anos.
Desde 2021, ela formalizou dez registros envolvendo acusações como ameaça, injúria, difamação, dano e problemas relacionados à guarda compartilhada do filho do casal, hoje com 8 anos.
ANÚNCIOS

Ao longo desse período, solicitou três medidas protetivas, mas apenas uma foi concedida, com validade de 90 dias, em 2022. Os dois pedidos mais recentes foram negados, inclusive um apresentado na véspera do ataque.
ANÚNCIOS
O episódio ocorreu no último sábado (21). Júlia estava dentro do carro com o atual companheiro, Diego Felipe Corrêa da Silva, de 34 anos, e as duas crianças — o filho dela e a filha dele, de 7 anos — quando o veículo foi alvo de disparos.
Diego Felipe morreu no local após o automóvel colidir contra um poste. Júlia foi levada em estado grave ao Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu, mas faleceu três dias depois.
Após o ocorrido, o suspeito retirou o próprio filho do veículo e deixou o local. Ele foi localizado e preso no domingo (22), em uma estrada rural entre Botucatu e Pardinho, sem apresentar resistência.
Para assistir ao vídeo CLIQUE AQUI!
De acordo com a polícia, ele admitiu a autoria. No imóvel do investigado, registrado como CAC, foram encontrados indícios relacionados a arma de fogo. O caso, inicialmente tratado como homicídio qualificado e outras tentativas, passou a ser investigado como feminicídio após a morte de Júlia.
A sucessão de registros e pedidos judiciais reacende o debate sobre a eficácia das medidas de proteção e a necessidade de respostas rápidas diante de sinais reiterados de risco.