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A oficialização da transferência da soldado Gisele Alves Santana para a assessoria do Tribunal de Justiça de São Paulo, ocorrida no mesmo dia de sua morte, revela que o crime aconteceu em um momento crucial de transição para a autonomia da vítima.
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Para Gisele, o novo posto representava uma mudança estratégica em sua vida, pois o pró-labore de R$ 5 mil e a nova lotação eliminariam a dependência financeira e a ingerência hierárquica que o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto exercia sobre ela.
No tribunal, a patente superior do marido perderia o efeito prático, impedindo-o de interferir em sua escala ou rotina, um controle que ele mantinha inclusive proibindo-a de realizar jornadas extras para que ela não tivesse renda própria.
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As investigações e as mensagens extraídas dos celulares desconstroem a narrativa de suicídio sustentada pelo oficial, que alegava que a esposa teria se matado por não aceitar um suposto pedido de separação feito por ele.
Os diálogos mostram justamente o contrário: Gisele era quem insistia no divórcio desde o início de fevereiro, chegando a escrever de forma categórica para que ele se considerasse divorciado.
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No dia 13 de fevereiro, cinco dias antes do feminicídio, ela já havia retirado roupas do armário e acionado os pais para ajudarem na mudança, demonstrando que sua saída do apartamento era um plano concreto e iminente.
O incômodo de Geraldo com a nova fase profissional da esposa era evidente em comentários agressivos, nos quais ele afirmava que ela estaria “abrindo as manguinhas” e manifestava um ciúme possessivo sobre o novo ambiente de trabalho.
O controle exercido pelo réu chegava a detalhes como o caimento da farda de Gisele, enquanto ele monitorava cada passo de sua ascensão na carreira. Atualmente, o tenente-coronel permanece em prisão preventiva por feminicídio e fraude processual.