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Casos de violência doméstica continuam despertando preocupação em todo o país, inclusive quando envolvem profissionais responsáveis por garantir o cumprimento da lei.
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Situações desse tipo chamam ainda mais atenção por colocarem em evidência que o problema pode atingir qualquer ambiente, independentemente da profissão ou da posição ocupada pelas pessoas envolvidas.
Além das investigações criminais, episódios assim costumam provocar debates sobre prevenção, acolhimento às vítimas e mecanismos de denúncia. Em Belo Horizonte, um caso envolvendo dois integrantes da Polícia Militar de Minas Gerais passou a ser investigado após a morte da capitã Michele Leão Azevedo.
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O sargento Eduardo Abner Pereira de Oliveira foi preso em flagrante depois de levar a esposa já sem vida ao Hospital Odilon Behrens, onde a equipe médica identificou diversos ferimentos considerados incompatíveis com uma morte natural.
Segundo o registro da ocorrência, os profissionais de saúde constataram lesões em várias partes do corpo da capitã, incluindo traumatismo na cabeça, hematomas e outras marcas que motivaram o acionamento imediato da Polícia Militar. Ainda conforme a avaliação inicial, havia indícios de que a morte teria ocorrido horas antes da chegada ao hospital.
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Em depoimento, o sargento apresentou sua versão dos acontecimentos. Ele afirmou que o casal havia realizado uma confraternização na residência, consumido bebidas alcoólicas e comprimidos de ecstasy e, posteriormente, mantido relações sexuais consensuais com práticas de dominação.
Ainda segundo seu relato, Michele teria sofrido uma queda da escada ao meio-dia, recusando atendimento médico após o acidente. Horas depois, ele disse ter percebido que ela não apresentava sinais de resposta e decidiu levá-la ao hospital.
Durante a ocorrência, outro fato chamou a atenção dos policiais. Enquanto aguardava atendimento, o militar foi visto descartando uma pequena caixa metálica em uma lixeira. No recipiente, foram encontrados comprimidos com características semelhantes ao ecstasy, material que acabou apreendido para perícia.
A investigação também ouviu familiares da vítima. A mãe de Michele afirmou que considerava o relacionamento da filha conturbado e marcado por episódios de controle psicológico, além de relatar que a capitã tentava encerrar a relação em diferentes momentos.
Peritos recolheram objetos e materiais no apartamento do casal, incluindo um cabo de madeira quebrado, roupas de cama e aparelhos eletrônicos, que passarão por análise. A Polícia Civil aguarda os resultados dos exames periciais para esclarecer as circunstâncias da morte.