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Heloísa Rodrigues, de 28 anos, busca na Justiça uma mudança que considera definitiva para se afastar de um passado marcado por graves acusações contra a própria mãe. O caso ganhou repercussão após reportagem do Fantástico, da Globo.
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A jovem já havia conseguido uma decisão favorável em 2024 para trocar o prenome, deixando de se chamar Larissa, e também remover o sobrenome da mãe. No entanto, o pedido para excluir o nome da genitora dos documentos foi rejeitado pela Justiça.
Segundo Heloísa, manter essa identificação representa uma ligação com uma história de sofrimento que ela afirma ter vivido desde a infância, envolvendo agressões, negligência e abusos sexuais.
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“Eu vou em lugares, precisa confirmar o nome da mãe, precisa escrever o nome dela. Em hospital vem o nome dela na pulseira”, contou. A biomédica afirma que nunca teve uma relação afetiva com a mulher registrada como sua mãe. “Nunca recebi um abraço”, disse.
Ela relata que os episódios de violência começaram ainda na infância e teriam se intensificado após a separação dos pais, quando tinha cerca de 5 anos. Documentos do Conselho Tutelar indicam que denúncias envolvendo maus-tratos foram feitas quando ela ainda era criança.
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Os registros apontam que o órgão chegou a acompanhar a família, com convocação da mãe e assinatura de um termo de responsabilidade. Anos depois, o pai da menina também teria procurado ajuda psicológica para a filha.
Além das denúncias de violência física, Heloísa afirma ter sido vítima de abusos sexuais a partir dos 9 anos. Em 2017, já adulta, ela divulgou relatos e materiais que, segundo ela, comprovavam os abusos sofridos. As denúncias deram origem a investigações e dois homens foram condenados pelos crimes.
Após sair da casa da mãe em 2021, Heloísa iniciou o processo para modificar seus registros. A Justiça reconheceu a gravidade dos relatos e permitiu alterações no nome, mas entendeu que a maternidade biológica não poderia ser apagada dos documentos.
A defesa recorreu da decisão e argumenta que casos excepcionais de violência deveriam permitir uma flexibilização dos registros. O tema divide especialistas, entre os que defendem mudanças em situações extremas e os que apontam a necessidade de preservar a segurança jurídica dos documentos civis.