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Em julho de 1984, Diego Fernández, então com 14 anos, deixou a casa da família em Buenos Aires segurando uma tangerina e dizendo à mãe que visitaria uma amiga antes de ir à escola.
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Nunca mais foi visto. O desaparecimento marcou profundamente seus familiares, que por quatro décadas conviveram com a ausência e a incerteza sobre o destino do adolescente, conhecido como “El Gaita” entre os amigos e lembrado como promessa no futebol do Club Atlético Excursionistas.

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Somente em maio de 2025, a história começou a ganhar respostas. Operários que trabalhavam na construção de um muro em uma residência no bairro de Coghlan encontraram ossos enterrados e acionaram a polícia.
Próximos ao corpo estavam objetos pessoais, como um relógio com calculadora Casio, uma gravata-borboleta e uma moeda. Peritos confirmaram sinais de ferimentos compatíveis com agressões por objeto cortante e tentativas de manipulação do corpo após a morte.
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O caso ganhou destaque nacional, inicialmente por uma confusão: chegou a ser noticiado que os restos foram localizados em uma casa onde o cantor Gustavo Cerati teria morado, informação depois corrigida, já que o imóvel era o vizinho.
Apesar de o crime estar prescrito, a Justiça argentina decidiu investigar as circunstâncias como homicídio, em busca de respostas sobre autoria e motivação. O reencontro da família com a verdade veio acompanhado de uma mistura de emoções.
Javier, irmão de Diego, relatou que, ao receber a notícia, sentiu dor, raiva, impotência e, ao mesmo tempo, alívio por finalmente poder dar um enterro digno ao irmão.
A mãe, hoje com 87 anos, manteve durante décadas a esperança de vê-lo retornar, sem nunca desligar o telefone de casa. O pai, que chegou a sair pelas ruas de bicicleta em busca de pistas, acabou falecendo em um atropelamento durante uma dessas buscas.

Atualmente, o Ministério Público colhe depoimentos de ex-colegas e conhecidos de Diego, incluindo moradores da casa onde o corpo foi localizado. O colégio que ele frequentava e o clube de futebol em que jogava prestaram homenagens e manifestaram pesar.
Para a família, a identificação dos restos mortais não elimina a dor acumulada ao longo de 41 anos, mas representa um passo importante para encerrar um ciclo e permitir o luto em paz.