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O elevado número de casos de violência doméstica no Brasil expõe uma realidade alarmante que, muitas vezes, se desenvolve longe dos olhos do público.
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Foi dentro desse cenário que se desenrolou a vida da arquiteta Fernanda Silveira de Andrade, de 29 anos, encontrada sem vida meses após desaparecer na capital paulista.
Natural de Serra Negra, no interior de São Paulo, Fernanda enfrentava um relacionamento conturbado e permeado por episódios de violência. Segundo registros policiais, ela convivia com ameaças frequentes feitas pelo ex-namorado, Euhanan dos Santos Barbosa, de 25 anos.
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O histórico de agressões era extenso e já havia sido formalmente comunicado à Polícia Civil em diferentes ocasiões. Um dos episódios mais graves aconteceu em 2023, quando Fernanda foi atingida por oito golpes de faca durante uma discussão.
Ela sobreviveu após ser socorrida e hospitalizada, enquanto o agressor fugiu. Mesmo após esse ataque, as ameaças não cessaram. Em depoimentos posteriores, a arquiteta relatou que o medo a impedia de romper definitivamente o relacionamento, receosa de que algo ainda pior pudesse acontecer.
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Em junho de 2024, Fernanda voltou a procurar a polícia após novas agressões, que incluíram socos, chutes e golpes com um capacete. Nos relatos, ela deixou claro que a violência era recorrente e que se sentia constantemente em risco.
Pouco tempo depois, decidiu deixar o interior e passou a viver em São Paulo, na tentativa de recomeçar longe do agressor. O desaparecimento da arquiteta levantou suspeitas e mobilizou investigações.
Três meses depois, a polícia prendeu Euhanan no bairro de Marsilac, na zona sul da capital. Com ele, foram encontrados um revólver calibre .38 e munições. Durante a abordagem, ele confessou o crime e indicou o local onde havia enterrado o corpo de Fernanda, em uma área de mata.
O caso foi registrado como feminicídio e reacende o debate sobre a efetividade das medidas de proteção às vítimas de violência doméstica.
A trajetória de Fernanda evidencia como denúncias, por si só, nem sempre são suficientes para impedir desfechos tão graves, reforçando a necessidade de atenção contínua e respostas mais eficazes do poder público.