Caso Itumbiara: Defensoria Pública de Goiás move ação contra emissoras de TV por linchamento contra mãe de crianças mortas; entenda

Crime aconteceu no último dia 12 e mulher segue sendo atacada.

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A Defensoria Pública do Estado de Goiás entrou com uma ação judicial apontando responsabilidade de grandes canais de comunicação nos ataques de ódio contra Sarah Araújo, mãe dos meninos mortos pelo próprio pai em Itumbiara.

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A ação é resultado do trabalho do Núcleo Especializado de Defesa e Promoção dos Direitos da Mulher (Nudem) e tramita na 31ª Vara Cível de Goiânia. Sarah foi vítima de uma enxurrada de ataques, após ser vítima do então marido.

Se lembre do caso

No dia 12 de fevereiro deste ano, Thales Naves Alves Machado matou os dois filhos, de 12 e 8 anos de idade, e depois tirou a própria vida. Nas redes sociais, publicou uma “carta” assumindo a autoria dos crimes e apontando a esposa como culpada.

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Na carta, ele afirma que tomou a decisão após descobrir que estava sendo traído. Para especialistas, o crime retrata não apenas uma mente perturbada, como também o verdadeiro objetivo do autor: atingir e punir a então esposa.

O que alega a Defensoria Pública

Para “provar” a suposta traição, Thales contratou um detetive particular que perseguiu Sarah em viagens e registrou momentos íntimos da mulher com outro homem. Essas imagens, inclusive vídeos, foram divulgados por vários canais de comunicação.

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Na ação, a Defensoria alega que os meios de comunicação, inclusive emissoras de grande alcance, foram irresponsáveis na cobertura do caso e expuseram Sarah, uma das vítimas da violência, a ainda mais ataques.

“O Nudem identificou que comentários e publicações transferiam o foco da brutalidade do agressor para a conduta moral da mulher, expondo-a a um linchamento virtual em seu momento de maior vulnerabilidade”, alega a Defensoria.

Depois do crime, conhecidos do então casal revelaram que Thales é quem na verdade havia traído Sarah e que ela estava em processo de separação. Ainda assim, mesmo que a mulher tivesse de fato traído o marido, a Defensoria entende que ela não é responsável pelo crime brutal contra os próprios filhos, mas sim o autor.

Além de uma ação indenizatória, a Defensoria também solicitou que a Justiça determine a remoção imediata dos vídeos e imagens das redes sociais e portais que pertencem a essas empresas.

Escrito por

Roberta R

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