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Um menino de 10 anos de idade foi resgatado pelo Conselho Tutelar de Goiânia nesta quinta-feira, 9 de julho de 2026, data em que comemorava o próprio aniversário.
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A criança foi localizada em condições de extrema vulnerabilidade, trancada sozinha dentro do quarto de um apartamento no Setor Faiçalville, sem acesso a água ou alimentos.
O resgate mobilizou a Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros, que precisaram arrombar as portas do imóvel. A mãe do garoto foi presa em flagrante e responderá pelo crime de abandono de incapaz.
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Antes da entrada dos policiais, registros em vídeo mostraram o conselheiro tutelar José Roberto da Silva utilizando uma escada para conversar com o menino através da janela.
Com sede e fome, a criança relatou que havia consumido apenas algumas bolachas fornecidas por uma vizinha e que precisava urinar dentro de uma garrafa plástica.
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Para saciar a sede do garoto antes da abertura do apartamento, os conselheiros utilizaram lençóis e uma sacola para içar uma garrafa de água até o quarto, aliviando a situação por um certo período.
Após o arrombamento, os militares depararam-se com um cenário de insalubridade, com roupas sujas espalhadas, lixo acumulado e restos de comida apodrecida pelos cômodos.
No quarto da vítima, havia apenas um colchão, poucos brinquedos, um ventilador e os recipientes utilizados para as necessidades fisiológicas. Em depoimento à Polícia Militar, a mãe justificou o abandono alegando que havia saído na noite anterior para trabalhar.
Ela sustentou que trancou o filho no quarto para impedir que ele tivesse acesso à cozinha, argumentando que o menino possui diabetes tipo 1 e poderia passar mal caso comesse em excesso. C
Contudo, o delegado Eduardo Carrara contestou a justificativa, ressaltando que a criança foi privada de direitos básicos e exposta a graves riscos, inclusive pela presença de canetas de insulina no local, cuja autoadministração é perigosa para uma criança dessa idade.
Relatos de vizinhos e do síndico do condomínio indicaram que a situação era recorrente, sendo comum ouvir o garoto gritando por socorro ou interagindo com outras crianças estritamente através da janela.
Devido ao período prolongado de privação alimentar, o menino foi encaminhado para o hospital, onde os médicos constataram que seu quadro de diabetes estava severamente descompensado, com a glicose alterada.
Em razão da gravidade e da necessidade de estabilização clínica para a aplicação segura de insulina, a criança foi transferida para a Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) do Hospital Estadual da Criança e do Adolescente (Hecad).
Ao ser libertado, o garoto declarou aos conselheiros o desejo de morar com o pai, possibilidade que o Conselho Tutelar passará a articular junto ao Juizado da Infância e da Juventude.