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A pequena cidade de Boa Vista da Aparecida, situada no oeste do Paraná, encontra-se mergulhada em um estado de profunda consternação após a descoberta da morte trágica de Clarice Sartoro Frigo e de seu marido, o vereador Gilmar Frigo.
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O evento, ocorrido na manhã de domingo, dia 15 de março de 2026, chocou os cerca de oito mil habitantes da localidade, não apenas pela brutalidade do ocorrido, mas também pela relevância das figuras envolvidas na vida pública e educacional do município.
Clarice, aos 47 anos, era uma servidora pública e professora amplamente reconhecida por sua dedicação e pelo compromisso inabalável com o ensino no Colégio Estadual do Campo Alto Alegre do Iguaçu.
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A perda de uma profissional descrita como carinhosa e dedicada representa um golpe severo para a comunidade escolar, que agora se vê órfã de uma educadora que marcou gerações com seu empenho diário em sala de aula.
A investigação conduzida pela Polícia Civil aponta para uma hipótese inicial que reflete um problema estrutural gravíssimo na sociedade: o feminicídio seguido de suicídio.
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Segundo as autoridades, a suspeita é de que Gilmar Frigo, de 45 anos, tenha tirado a vida da esposa antes de cometer suicídio dentro da própria residência do casal, situada na zona rural. Gilmar vivia um momento de transição em sua trajetória, tendo sido motorista de ônibus antes de conquistar uma cadeira na Câmara Municipal para o mandato iniciado em 2025.
O contraste entre a recente ascensão política de Gilmar e o desfecho violento de sua vida privada levanta discussões inevitáveis sobre a invisibilidade de conflitos domésticos que podem culminar em tragédias definitivas.
O impacto emocional no Colégio Estadual onde Clarice trabalhava foi traduzido em uma nota de pesar que enfatiza o carinho e a memória afetiva que a professora deixa para trás.
Para os colegas e alunos, ela não era apenas uma colega de trabalho, mas um exemplo de resiliência e afeto, cujo legado agora será preservado como um símbolo de resistência educacional.
Enquanto isso, o procedimento policial segue seu curso para periciar o local do crime e coletar depoimentos que possam confirmar a dinâmica dos fatos ocorridos naquele domingo.
Este caso se soma a uma estatística dolorosa de violência contra a mulher, reforçando que cargos eletivos e prestígio profissional não garantem a ausência de comportamentos abusivos nos lares brasileiros.
A cidade de Boa Vista da Aparecida agora enfrenta o desafio de lidar com o luto duplo, tentando encontrar respostas para uma violência que silenciou uma voz ativa da educação paranaense e encerrou de forma sombria.
O silêncio da zona rural, onde os corpos foram encontrados, ecoa agora como um clamor por justiça e por uma reflexão mais profunda sobre a proteção de mulheres em situações de vulnerabilidade doméstica.
A trajetória de Clarice, interrompida de forma tão cruel, serve como um lembrete sombrio de que a dedicação à vida pública e profissional muitas vezes esconde dores que o sistema de segurança e a rede de apoio local ainda falham em identificar a tempo.