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Um relato inédito e comovente trouxe novos elementos emocionais e probatórios ao caso da vendedora Tainara Souza Santos, que foi brutalmente atropelada e arrastada por cerca de um quilômetro na Marginal Tietê, em São Paulo.
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Em entrevista concedida à TV Globo, a mãe da vítima, Lúcia Aparecida Souza da Silva, revelou que a jovem acordou do coma e conseguiu conversar de forma lúcida durante dez dias antes de sucumbir às graves lesões e falecer no hospital.
A revelação foi mantida em segredo pela mãe e compartilhada publicamente pela primeira vez durante a audiência de instrução realizada no Fórum Criminal da Barra Funda, na Zona Oeste da capital paulista.
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Isso aconteceu pouco antes de o Poder Judiciário decretar que o acusado do crime, Douglas Alves da Silva, deve ser submetido a julgamento por júri popular pelo crime de feminicídio.
Conforme o relato de Lúcia Aparecida, nem mesmo os familiares mais próximos tinham conhecimento de que Tainara havia despertado na unidade de terapia intensiva. “‘Vou lutar, mãe. Isso vai ser pelos meus filhos e por você'”, disse Tainara.
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A mãe optou por resguardar o momento em absoluto sigilo para respeitar o sofrimento e a intimidade da filha diante da gravidade de seu estado de saúde, que incluiu a amputação de ambas as pernas em decorrência do violento arrastamento na pista asfáltica.
Ao abrir os olhos no leito hospitalar, as primeiras palavras da vendedora foram direcionadas ao bem-estar de sua família, questionando se seus dois filhos, um menino de 12 anos e uma menina de 7, além da própria mãe, estavam seguros e bem.
Durante o período em que permaneceu consciente, Tainara demonstrou plena percepção da gravidade das sequelas físicas provocadas pelo ataque, verbalizando para a mãe que sabia ter perdido os membros inferiores após ser colhida pelo automóvel.
Demonstrando resiliência apesar do prognóstico delicado e ciente de que enfrentaria uma longa rotina de procedimentos cirúrgicos, a jovem garantiu que encontraria forças para lutar por sua sobrevivência em nome do amor que nutria pelos filhos e por Lúcia.
Em um dos momentos mais marcantes da internação, ao ser consultada pela mãe sobre a possibilidade de receber a visita das crianças, Tainara preferiu poupar os filhos pequenos, optando por não ser vista por eles naquela condição clínica debilitada.
As conversas no hospital também serviram para confrontar diretamente a versão apresentada pelo agressor. Logo após ser detido em flagrante pelas autoridades, Douglas alegou em seu depoimento à polícia que não possuía qualquer vínculo com ela.
Ele afirmou que o atropelamento teria sido o desdobramento acidental de uma briga prévia com um homem que acompanhava a vendedora. No entanto, ao ser questionada pela mãe na UTI sobre essa suposta falta de convivência, Tainara rebateu a declaração.
Ela deixou claro que ambos se conheciam perfeitamente. Lúcia destacou que a oportunidade de desmentir o réu e expressar toda a dor guardada em seu peito foi o motivo que a levou a quebrar o silêncio durante o depoimento formal.
Apesar do desfecho trágico e da profunda saudade, a mãe manifestou um sentimento de gratidão espiritual por ter recebido a chance de se despedir e ouvir a voz da filha ao longo daqueles dez dias finais.