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Na madrugada do primeiro dia de 2026, um episódio trágico marcou o início do ano na cidade de Viana, localizada na Região Metropolitana de Vitória, capital do Espírito Santo.
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Uma perseguição policial resultou na morte de um jovem motociclista, Lucas David Piffer dos Santos, de 24 anos, após ele ser atropelado e arrastado por uma viatura da Polícia Militar.
A cena violenta chocou moradores do bairro Nova Bethânia, onde tudo aconteceu, e gerou questionamentos por parte da família da vítima e da comunidade local. Segundo relatos da Polícia Militar, os agentes patrulhavam a região quando avistaram Lucas pilotando uma motocicleta sem capacete, tendo na garupa sua namorada de 17 anos.
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Diante da infração, os policiais afirmam ter emitido ordem de parada, que não foi obedecida. Lucas teria acelerado, dando início a uma perseguição pelas ruas do bairro.
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De acordo com testemunhas, a moto seguia à frente da viatura no mesmo sentido até que, ao passar por um quebra-molas, o motociclista perdeu o controle e caiu. A viatura, que estaria em alta velocidade, não conseguiu frear a tempo e passou por cima de Lucas, arrastando seu corpo por vários metros.
A motocicleta e os dois ocupantes foram arremessados, e a viatura, desgovernada, ainda invadiu uma residência após atravessar a via. O impacto destruiu parte da lateral do imóvel e atingiu uma das colunas da estrutura.
No momento da colisão, o quarto das crianças da dona da casa, Quézia Cristiane Zucon, ficou coberto de destroços, mas felizmente ninguém estava no cômodo. Brinquedos foram lançados para todos os lados e o ventilador foi destruído.
Lucas não resistiu aos ferimentos e morreu no local. A adolescente foi socorrida com suspeita de fraturas nas pernas e braços e levada pelo Samu ao Hospital São Lucas, na capital, onde passará por cirurgia.
O pai da jovem, bastante abalado, acusou a polícia de ter agido com excesso, afirmando que a viatura atingiu o casal de forma proposital. A família da vítima afirma que ele havia passado a virada do ano em uma festa e estava levando a namorada até a casa da mãe dela quando foi surpreendido pela abordagem.
Segundo o concunhado de Lucas, Jadilson Rodrigues de Souza, o jovem havia ingerido bebida alcoólica, mas estava consciente e teria tentado evitar a abordagem por medo de represálias.
Ele também contestou a versão policial, afirmando que Lucas era habilitado e que a ação foi desproporcional para alguém que, segundo ele, apenas circulava sem capacete.
Por outro lado, a Polícia Militar afirma que Lucas havia perdido a carteira de habilitação em 2024, o que o impedia de conduzir veículos legalmente. O militar que dirigia a viatura foi submetido ao teste do bafômetro, cujo resultado foi negativo.
A ocorrência foi registrada na Delegacia de Cariacica, onde o agente foi ouvido. A Defesa Civil esteve no local para avaliar os danos à residência atingida e autorizou o retorno da família ao imóvel, considerando que a estrutura não apresenta risco iminente.
Moradores da região, acostumados com o som de fogos durante o réveillon, inicialmente não perceberam a gravidade do ocorrido. Porém, muitos se mostraram surpresos e consternados ao se depararem com a cena de destruição.
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A aposentada Elcimar Vieira relatou que não é incomum haver perseguições no bairro, mas que nunca havia presenciado algo com tamanha violência. O caso gerou forte repercussão e reações indignadas da família, que cobra providências do governo estadual e acusa os policiais de uso excessivo da força.
O episódio reacende o debate sobre os limites das abordagens policiais, especialmente em situações envolvendo infrações de trânsito, e sobre o risco de ações que terminam em morte quando alternativas menos letais poderiam ser adotadas.